ILHA
SAILING Ocean School - HISTÓRIAS DO MAR
Dia
do Fim do Mundo
Imagem se
alguém perguntasse para você, o que estaria fazendo no dia
11 de agosto de 1999 as 10:30 horas ?
Era época
de participar da tradicional 3.a Etapa do Campeonato Paulista de Vela de
Oceano 1999.
Felipo,
lancheiro desde os tempos da África do Sul onde enfrentava
o mar com 4 a 5 metros de onda, montado em cima de uma lancha skiboat (para
puxar esquis, portanto de borda baixa, e mais fácil de entrar água
em mar pesado) para pescar perto de Cape Town.
Nos
seus 65 anos pretende reformar um veleiro de madeira de 36 pés e
viajar junto com a esposa para Cape Town, sendo esta a primeira parada
ou quem sabe ir para a Itália visitar parentes.
De qualquer
forma está treinado e a menos que o mundo acabe, tentará
realizar seu sonho.
Conversamos
sobre a data de levar o veleiro e casualmente a meteorologia anunciava
que no 11 de agosto daquele ano era o último dia para pegarmos
o tempo gostoso que faz antes de entrar uma frente fria e era uma quarta-feira.
Resolvemos
sair naquele dia, porque era bom e se acabasse o mundo, a gente poderia
dizer depois, que não poderia ter acabado da forma mais linda (mais
ou menos como o desaparecimento do maior de todos velejadores, Éric
Tabarli).
Primeiro Sinal
Saímos
de Ilhabela as 06:00 horas da manhã e a força contra
da correnteza vinda de Sul no canal, já dava indícios
que a frente estava para chegar e a movimentação do mar era
pesada.
Em dia de
Fim do Mundo, qualquer sinal diferente do normal, é facilmente notado
e ficamos mais atentos as próximas reações da natureza.
Fora isto,
era um dia de agosto fresco com uma preguiçosa bruma que acorda
nas montanhas, fazendo a silhuetas mudarem a tonalidade dependendo da distância.
Vento de quatro
nós de Sudoeste, fracos e variáveis e dá-lhe motor.
Segundo
Sinal
Olhei no
relógio e era mais que 10:30 horas, Nostradamus se enganou? O dia
ainda não acabou!
Andamos
mais umas 10 milhas depois da Ilha do Toque-Toque e começo a enxergar
dezenas de pontos pretos na água e bem no nosso caminho. Com tanto
lugar, porque justamente a nossa frente?
Eram
atobas boiando na água e não queriam sair da frente.
Será
que o Fim do Mundo vai ser por ataque de pássaros, que nem nos filmes
de Hitchcok?
Para nosso
alívio saíram voando da frente a metros da proa do veleiro.
Balanço do Mar
A viagem
andava normalmente, não fosse pelo seu Felipo que fazia longos
zigue-zagues com o veleiro e até pensei que fosse por causa da falta
de prática em mar aberto e não me preocupei,. Porém
depois que passarmos o Montão de Trigo e já tinha muitas
milhas de treinamento, estranhei os movimentos. Pedi para me passar o leme,
pois queria sentir o que estava acontecendo.
Eu também
não conseguia manter o rumo.
As ondas
estavam com normais 1 a 1,5 metros, porém com um tope de onda grosso
e intenso, mais ou menos como alguém muito gordo que nos empurra
lento porém pesado e demoramos para voltar.
A coisa
"tá" feia lá no Sul!
Terceiro Sinal
De repente
vimos no meio do nada e vindo de Santos em nosso caminho, uma nuvem
baixa, volumosa sendo trazida por um vento gelado no meio do mar e céu
azuis. O que será? Talvez lá se esconda um buraco que está
mandando vapor do Fim do Mundo? Porém como estávamos a fim
de conhecer como seria atravessamos bem no meio.
.
Uma delícia,
a mesma sensação que entrar numa sauna gelada, com o corpo
quente, super refrescante, principalmente depois que saímos do outro
lado ensolarado.
Deveria
ter uns 500 metros de circunferência e com o topo da nuvem careca
que nem padre franciscano, onde se podia ver o azul do céu.
Mais adiante somos ultrapassados por um belo pesqueiro sozinho no mar.
Quarto
Sinal
Ao entardecer
chegamos no costão da Tartarugas, Guarujá, para assistir
a um lindo, exótico e avermelhado pôr de sol e concluímos
finalmente que o dia do Fim do Mundo, na verdade foi o dia do Fim de Tarde.
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