ILHA
SAILING Ocean School - HISTÓRIAS DO MAR
Ilhabela - Quem olha de longe
o Farol da Ponta do Boi, no extremo sul da Ilhabela, não imagina
as histórias por trás daquela torre de concreto e metal,
sempre iluminada e visível para orientar navegantes que contornam
o Litoral Norte.
Personagens inspirados em
romances, os faroleiros resistem ao tempo e à solidão. Embora
a tecnologia já tenha sido responsável pela criação
de equipamentos modernos capazes de orientar os navegadores até
por meio de satélites, o bom e velho farol ainda é considerado
o marco mais preciso e seguro.
O Farol da Ponta do Boi
está entre os dez mais importantes do país. Seu sinal chega
a 22 milhas, o que equivale a 40,7 km de distância.
Outros aspectos de sua importância
são localização e isolamento --os vilarejos mais próximos
são das praias do Bonete (5 horas de caminhada), Castelhanos (6
horas) ou Saco do Sombrio (4 horas).
"Quando falo que sou faroleiro,
as pessoas não acreditam", afirma o sargento Inácio Costa
Júnior, 35 anos, que trabalha com mais dois militares no lugar.
Apesar de centenária,
a profissão ainda resiste. "Somos responsáveis pela manutenção
do local e por manter o farol aceso", disse o cabo Sérgio Reis,
35 anos, faroleiro que mora há 4 anos na Ponta do Boi e só
saiu de lá 4 vezes, nas férias.
Ele é casado e tem
três filhos. A família já morou por dois anos com ele,
mas precisou sair do isolamento, já que o filho mais velho entrou
na escola.
Atualmente, Reis fica com
a mulher e os filhos, que moram em Bicas (MG), somente um mês por
ano, nas férias.
DISTRAÇÃO
- Segundo o faroleiro, para passar o tempo, é preciso arrumar o
que fazer. Pesca, roça, trilha na mata e leitura são as práticas
mais comuns dos três militares que moram no farol.
Apesar da responsabilidade
com a manutenção dos motores, que funcionam a diesel, e com
o simples ato de apagar e acender o farol, o restante do dia é "arrastado"
pelos trabalhadores, que encontram tempo para fazer de tudo.
Morador da Ponta do Boi
há quase 4 anos --permanecendo um mês na ilha e um mês
em São Sebastião com a mulher e os dois filhos--, o sargento
Heráclito Marcos de Freitas Régis, 43 anos, que já
morou com a família na ilha, conta que precisava usar a criatividade
para distrair os filhos de 6 e 12 anos. "Cheguei até a fazer bonequinha
de lata e pano para minha filha. Também ajudei meu filho a montar
uma casinha de madeira sobre uma árvore para passar o tempo."
ROTINA - A paisagem do farol
chega a se tornar bucólica para os faroleiros. O local se resume
nas instalações do farol, datada de 1900, além de
duas casas de alvenaria para a moradia dos faroleiros e um heliponto para
o acesso do helicóptero da Marinha.
Sem possibilidade de tomar banho de mar --na Ponta do Boi não tem nem 10 metros de praia--,
os moradores pescam na costeira e andam pela mata.
Visitas só recebem
uma vez ao mês, quando uma equipe de militares do Rio de Janeiro
vai ao local de helicóptero para levar alimentação
e combustível.
Turistas são proibidos
mas os faroleiros costumam dizer que ninguém procuraria o lugar
para passear, nem se fosse permitido. (Fonte: ValeParaibano)
Origem
do nome gera controvérsia
Ilhabela - Lendas e histórias
de pescador não faltam no Farol da Ponta do Boi. Muito temido pelos
caiçaras, principalmente pelo mar agitado, o local é alvo
de contos que ninguém sabe ao certo se realmente aconteceram ou
foram criados pelo imaginário popular.
A polêmica já
começa no próprio nome do local. Uns contam que no início
do século 20, para fazer o transporte do material de construção
do farol, foram levados carros-de-boi para ajudar a carregar tijolos e
demais estruturas de metal, importadas da França.
Mas a origem do nome, sustentada
até hoje pelos últimos faroleiros do local, está ligada
ao formato da ponta do morro, que sugere o corpo de um animal.
Outra história contada
pelos caiçaras é que, na década de 70, a Prefeitura
de Ilhabela tinha um projeto para abrir uma estrada de acesso até
o Farol da Ponta do Boi. Nesta mesma empreitada, dizem que também
estava prevista a construção de um cais no local para melhorar
o acesso pelo mar. Nenhum dos dois empreendimentos foram iniciados até
hoje.
Atualmente, o acesso ao
farol é somente pelo ar --a Marinha do Brasil construiu uma área
de pouso nas suas proximidades em 1995-- ou pelo mar, quando a navegação
está propícia na parte sul da Ilhabela, que está voltada
para o oceano. (Fonte: ValeParaibano)
Ilhabela - Apesar de exuberante,
a paisagem é monótona para o faroleiro que amanhece e escurece
no lugar. Os mistérios do Farol da Ponta do Boi se concretizam,
principalmente à noite.
Embora os atuais moradores
da Ponta do Boi nunca tenham visto nenhuma "assombração"
no local, histórias dos antigos não faltam.
Segundo o encarregado de
balizamento da Capitania dos Portos, Miguel Dias Farias, 58 anos, que trabalhou
como faroleiro na Ponta do Boi por cinco anos durante a década de
70, faróis são lugares que geralmente têm histórias
de assombração.
"Sei de uma história
de uma mulher que morava no farol e teria se queimado quando ia acender
um candeeiro. Com certeza, na escuridão da noite, tem gente que
fala que já ouviu vozes e viu muitos vultos dela."
Ele conta que, apesar de
já ter ouvido muita história de Ilhabela, nunca presenciou
nada de perto. "Eu ouvia vozes no farol de Cabo Frio, onde trabalhei durante
seis anos, mas aqui (Ponta do Boi) só ouvi histórias, mas
nunca vi nada."
Segundo o sargento Inácio
Costa Júnior, 35 anos, que atualmente mora na Ponta do Boi durante
seis meses alternados durante o ano, o barulho do vento e do mar sugerem
um ambiente "macabro", principalmente à noite.
"A gente tem que ter uma
cabeça boa, no lugar, para não pensar em besteira. Se deixar,
a cabeça vai longe e a gente até enxerga o que não
tem." (Fonte: ValeParaibano)
Ilhabela - "O segredo para
sobreviver morando no isolamento, como é o Farol da Ponta do Boi,
é nunca parar." A afirmação do ex-faroleiro Miguel
Dias Farias, 58 anos, denota o espírito aventureiro que nunca pode
acabar para um faroleiro. Já tendo morado 17 anos em três
faróis, Farias diz que o da ilha, onde viveu 6 anos, é o
mais significativo em sua vida. "Foi lá que encontrei meu grande
amor, casei e construí família." O então faroleiro
da Ponta do Boi (entre 1974 e 1979) se apaixonou por uma menina de 11 anos,
filha de caiçaras. Depois do namoro, casou-se com Carmen dos Santos
Farias, hoje com 43 anos, e tiveram a primeira filha. (Fonte: ValeParaibano)
Ilhabela - O Farol da Ponta
do Boi foi inaugurado em 11 de abril de 1900. Segundo a Marinha, a construção
durou 20 meses e o material de metal, importado da França, era levado
pelo mar. O farol está entre os dez mais importantes do Brasil devido
à localização e pela abrangência. Até
1948, o farol funcionou com sinal sonoro. Em dia de nevoeiro, a buzina
acionava a cada cinco segundos. Hoje, além do aspecto visual --da
luminosidade à noite e da pintura em cores fortes para ser facilmente
visualizado de dia-- o farol também funciona com sistema de bips,
que emite sinais que podem ser decodificados pelos aparelhos de navegação
dos barcos. (Fonte: ValeParaibano)
Isolamento
ajuda a preservar ecossistema
Ilhabela - O isolamento da
Ponta do Boi é um dos maiores aliados para a conservação
do ecossistema. Fauna e flora terrestre e marinha continuam preservadas
e o lugar é visto como um rico laboratório natural para pesquisas
nas áreas de ecologia e biologia marinha.
Segundo o pesquisador do
Cebimar (Centro de Biologia Marinha) da USP (Universidade de São
Paulo), Márcio Reis Custódio, há registro de cerca
de 170 esponjas marinhas no Litoral Norte e a Ponta do Boi é um
dos locais que ainda preserva a maioria das espécies.
"As esponjas são
filtradoras e, consequentemente, responsáveis por manter o ecossistema
marinho equilibrado. Cada quilo de esponja é capaz de filtrar, em
média, 13 mil litros de água por dia", disse.
MERGULHO - O instrutor de
mergulho da operadora Colonial Diver, de Ilhabela, Ricardo Prata, disse
que o local é propício ao mergulho profissional, devido à
rica quantidade e qualidade de espécies marinhas. "As dificuldades
apresentadas não indicam o local para iniciantes".
Segundo Prata, peixes de
passagem e de correnteza são os que mais se encontram no local --olho-de-boi,
olhete, mero--, além de anchova e garopa e ainda tartarugas e raias,
que estão entre as espécies mais encontradas.
Além de pesquisas
sobre a fauna marinha, a Ponta do Boi também apresenta animais nativos
da mata atlântica, como a jaguatirica, e abriga grande quantidade
de cobras, como a jararaca, capturadas nas proximidades do farol pelos
militares e enviadas para o Instituto Butantã, em São Paulo.
Segundo a diretora do Parque
Estadual da llhabela, Kátia Biagini Arean, a área do farol
pertence à Marinha e o seu arredor é responsabilidade do
parque. "A região abriga uma das áreas mais preservadas do
Litoral Norte devido à falta de acesso. O local não é
considerado ponto turístico." (Fonte: ValeParaibano)