Yukio
Fukugawa, 3 anos, olhos atentos a cada detalhe no veleiro "Andreas" durante
a Regata de percurso do Campeonato Paulista de 1995 etapa de Santos.
Na época estava dando assistência de veleria no uso de velas
exóticas e a experiência com esta família onde corriam
Minoru o pai, Amélia a mãe, Satoru filho de 14 anos e Sayuri
filha de 7 anos, foi um capítulo meigo e a
parte
a quaisquer outras durante estes anos de serviços à vela
de oceano.
Naquele dia o mar estava virado por uma frente fria e o percurso
começava na Ponta Grossa, passava entre a Ponta do Munduba e a Ilha
da Moela, dava a volta na Ilha das Cabras e retornava.
Muito frio, vento e mar.
No trecho até a Moela o pessoal começou a ficar de verde
para amarelo, é aquela hora que o sujeito fica um verdadeiro "brasileiro",
para não dizer que está virado num banzeiro.
Alguém comentou em desistir?
Com certeza não era da família.
A tenacidade era tanta que passada a Moela, uns dos piores trechos quando
o mar levanta, Yukio que estava vestido com um salva-vidas tamanho grande,
sentado ao lado do irmão que o segurava e mais parecia o artista
principal do filme "o último imperador", agüentava firme.
Perguntava-lhe de vez em quando se estava tudo bem, ao que ele respondia
com um sorriso, como das outras vezes.
Porém desde então, no final de cada sorriso, fechava os olhinhos
como se algo o estivesse apertando.
Minoru que conhece o filho começou a estranhar.
E até o terceiro sorriso, estava tudo bem.
Depois do quarto, ele colocou os dedinhos na boca, os olhos arregalaram,
as bochechas afagadas pelo salva-vidas grande, estufaram e em questão
de segundos ninguém mais parava de pé no cockpit, mas nem
com a melhor sola antiderrapante e para ajudar o barco andava adernado
de 15 a 20 graus. Imagina o sapateado.
Após a regata, conversando com a Amélia, chegamos a conclusão
que canja de galinha e convés em dia de regata não se misturam
de jeito nenhum, principalmente em regatas longas como aquela, não
deu nem para colocar balão na volta.