A notícia chegou por
telefone: “você tem notícias do Inácio, do Kapiao?”. Nós estávamos num
recanto secreto perto da ilha do Algodão, onde cabe apenas um veleiro,
numa lagoa de águas verdes.
Inácio Doria Pupo, que completa 79 anos em fevereiro próximo, é meu
vizinho de vaga na Marina do Engenho, batemos um papo antes de sairmos
de férias por volta do dia 28 de dezembro quando eu pedi a ele que me
fornecesse umas informações sobre um resultado de Refeno das antigas que
ele tinha. Ele prometeu que deixaria com o Luiz Pizão, gerente da
marina.
Foi dele – Luiz – que ouvi a história de como tudo aconteceu:
“foi no sábado por volta das 18h. Ele estava na prainha (uma praia
próxima da marina) e deixou o gás aberto e o amigo que estava com ele
(estavam em 3, Inácio, Rômulo e o filho) alertou. Ele desceu para a
cabine com o cigarro aceso, apesar do aviso do Rômulo. Como o Inácio tem
problema de audição, não escutou e houve a explosão”.
Com a violência, Rômulo que estava no cockpit foi jogado para fora
desacordado, mas logo resgatado pelo filho. Inácio estava dentro e
sofreu queimaduras de segundo grau. Todos hospitalizados mas fora de
perigo a esta altura.
Luiz Pizão fez o resgate do veleiro, usando uma bomba para retirar a
água do interior do casco, que estava com um racho grande. Também fez um
remendo de fortuna para que ele parasse de fazer água, recolheu o que
estava solto – inclusive o cockpit que se desprendeu do casco com a
violência da explosão – e trouxe tudo para a marina.
Nesse momento meu “vizinho” de vaga é um casco de o que um dia foi o
Kapiao, um Samoa 27 construído por Inácio há mais de 35 anos em
Botucatu, interior de São Paulo. Coberto com uma lona preta, seu cockpit,
mastro, genoa e demais apetrechos estão a espera da definição da família
ou do próprio Inácio.
Aqui pelo Tangata aproveitamos a ida a Paraty para comprinhas e passamos
pela “feirinha”, onde compramos e reformamos toda a parte do gás,
inclusive o botijão…
Vai que a Dona Morte não quer perder a viagem… Eu ein?!
.
.
.Fonte: http://tangatamanu.wordpress.com/2012/01/18/dona-morte-ainda-nao-e-minha-hora/
Fotos: Luiz Pizão – Marina do Engenho
|
|
|
 |
Não tenho
nada contra fogões( e também nada a favor) a gás dentro de
veleiro e a "RYA Royal Yachting Association" tem
procedimentos padrões para evitar vazamentos: veleiros são
fabricados com o compartimento acima da obra mortas, com a
tampa de acesso no passadiço lateral e se caso acontece uma
explosão, a parte arrancada do convés é apenas aquela onde
estava o gás, o que evita outros danos, revisão periódica
dos encanamentos, "snifers" que apitam ao cheiro de gás,
gasolina ou diesel e fogões com acendedores com tempo de
espera e travamento quando passa deste tempo, para evitar
esquecimentos de vazamentos de gás e outras novidades que
são dispendiosas, mas penso, que mais dispendioso é o
trabalho de colocar o convés de volta, se continuarmos
achando que segurança é cara, isto se insistirmos a usar gás
como combustível para fogões de bordo. |
|
 |
"Snifers"
ou Sensor de Gás
Sensor de gas é um
equipamento barato que poderia ter evitado o acidente.
É o tal sniffer,
podemos chamar familiarmente detetor de gas.
Os mais simples apitam o alarme ao detetar o gas, e os
melhores tem um contato para ligar uma eletroválvula.
A eletroválvula fecha a
passagem do gas instantâneamente assim que o detetor
atuar.
O nome eletroválvula pode
espantar os leigos mas é barato e fácil de instalar,
alimenta com a bateria do barco sem perigo nenhum.
Tem eletroválvulas com duas
bobinas, uma que gasta mais corrente apenas trabalha no
momento de abrir a vávula e a segunda bobina mais fraca,
mantém a válvula aberta com muito baixo consumo de
corrente.
Fonte: Carlos Esteves - ABVC |
Completei uma pequena
pesquisa para matéria que aproveitei as fotos e experiência, para
colocar a Metalúrgica ROA com seu fogão sem forno de 2 bocas a alcool e
que está anexo ao e-mail, penso inclusive que é uma solução econômica e
nacional, porém é com aço esmaltado, vale a pena perguntar se fazem de
inox.
Particularmente uso a 15
anos, pois veio junto com nosso veleiro, que era de um alemão super
cuidadoso com a família e já teve experiências amargas com fogões a gás
em veleiro e sempre dormia com a família a bordo do seu MOD 30.
Quem conhecer o Ex-dono do Xaxinha Mod 30 fracionado, que vivia em
regatas do campeonato paulista, além de passar inúmeros fins de semana
em Angra Parati, Marinas Nacionais onde era a sua base, coberto com uma
lona, curtindo as comidas da "Maine Frau" (esposa), sabem de quem estou
falando, pois além de regateiro, era um cruzeirista inveterado,
inclusive a família ou tripulação dormiam a bordo durante os fins de
semana de regata, o que normalmente todos vão para hotel.
Fora isto nestes 15 anos,
fiz muitos charters, comidas, passeios, cursos explicando os vários
tipos de fogões e a opinião da maioria das pessoas que o usaram e faziam
nossos curso, lembrando de algum fato ocorrido, por conta das instruções
de operação de cada fogão (gás, querosene e álcool), além das pesquisas
levantadas; mostram cada vez mais que gás e veleiros, sempre tem
histórias para livros e conversa, porém é difícil saber de algo sobre
álcool, principalmente com álcool gel, como os da ROA e Electrolux, por
isto o pessoal procura saber com quem já teve ou conhece. Como são
praticamente impossíveis ocorrências, (a não ser que você vá abastecer o
alcool, sem ter tampado a boca do fogão para apagar o fogo, ou tenha
colocado a garrafa plástica do lado do fogão quente) poucas são as
referências, mas fogão a gás, é uma cultura de que mora em terra (como
uma pessoa que está acostumada com carros e a hora que vai andar no mar,
compra uma lancha. Saiu de um carro e entrou no outro, por pura falta de
referências. Ainda bem que a cultura da vela está cada vez mais se
disseminando, como em escolas de vela oceânica e chats.)
Aliás, se alguém souber de
algum sinistro, favor avisar.
No detalhe da matéria ao
lado da foto, tem o manual de instrução do fogão da ROA, que inclusive
dá exemplos de tipos de comida e duração do álcool, pois é pouco comum,
o pessoal usar e particularmente, sou bastante favorável ao uso,
justamente por falta de exemplos de sinistros.
Não conhecia o fogão da
ROA, só a churrasqueira esmaltada que achei excelente e muito rápida
para fazer os grelhados, além de prática para usar com tripé na praia ou
no púlpito de popa.
Estas fotos do veleiro
vieram bem na hora certa.
Pois lembro que um velejador,
tempos atrás, perguntou algo de: poder usar o botijão de gás dentro da
cabine e se alguém tinha idéia, de algum fato real, que tivesse
acontecido, algum acidente por conta desta transferência de lugar do
botijão de gás e também foi comentado que também poderia armazenar o
botijão no fundo do paiol de popa e não fazendo o reservatório como rege
no Manual de Construção de Barcos e o desenho da "RYA" anexo, onde tem o
reservatório do botijão a meia nau, usado para evitar este tipo de
acidentes, ao que foi comentado na época, que tinha visto um filme que
alguém tinha uma bomba de porão, que não era especial para uso de
esgotamento de gás além de água, em veleiro antigo, que o veleiro
explodiu na frente da câmera e pegou fogo.
Sendo assim uma referência visual convincente e não apenas uma lenda,
como muitos incautos querem atribuir a atitude econômica, de fazer algo
que fuja das regras de segurança internacionais.
Velejar, para as
seguradoras, é um esporte de risco, minimizando o risco, é um prazer
para poucos e no futuro para muitos. |