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Adeus à Jorge Zarif
Lamentamos a perda de
Jorge em 12 de março de 2008, assim como lamentamos a perda de seu
pai em 4 de fevereiro de 2005, que representavam e reavivavam a
história da vela oceânica paulista, a cada vez que participávamos
das etapas do Campeonato Paulista em Santos e procuramos, assim como
eles e com ajuda deles transmitir as histórias e vivências que nos
passaram.
Jorge como todo
esportista de performance, nunca perdeu a sua "bolinha" de criança
entusiasmada pelo iatismo, inspirando uma geração de novos valores
nas classes Oceano e Fin.
Fizemos uma
pequena e singela vídeo homenagem náutica, à esta família que
dedicou-se e continua a se dedicar à vela brasileira através de seu
filho Jorge João Zarif. |
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Passagens de Jorge
Zarif
Zarif –
No blog do Lars (em
www.larsgrael. com.br) nosso amigo e ídolo escreve bonitas
palavras sobre o Guga Zarif. Reproduzo aqui como homenagem ao meu
eterno amigo que agora veleja em outras águas.
“Era uma tarde cinzenta, úmida e com um vento frio e incômodo.
Eu fazia minha estréia numa Regata Santos-Rio em outubro de 1981.
Timoneava o One-Tonner Mo Hai quando um barco cambou a
nosso sotavento e com maestria impediu nossa passagem. Logo
perguntei:
- Quem timoneia este barco?
Nosso Comandante Paolo Pirani respondeu:
- Este barco é o Áries do Iate Clube de Santos. O
timoneiro chama-se Jorge Zarif.
Disse surpreso:
- Ah, este que é o Jorge Zarif. Logo vi, timoneia muito bem.
Em 1983, no mais disputado Circuito-Rio da história, protagonizamos
um grande desafio. Zarif comandava o Fast 1/2 Tonner Surfer II
e eu comandava barco idêntico, mas, menos equipado para regata
chamado Carmen. No final, após uma disputa onda-a-onda
na Regata Rio - Cabo Frio - Rio, Zarif conquista o título e nós nos
contentamos com o Vice.
Ano seguinte, foi nossa estréia em Olimpíadas. Era Los Angeles 84´.
Zarif tinha a dura tarefa de substituir o ícone da classe Finn no
Brasil, Claudio Biekarck. Fez bonito. Venceu uma das regatas e foi
8º colocado geral.
Na Classe Finn, sua maior paixão, ‘Guga; ‘Mongo’; ‘Turco’ como os
amigos carinhosamente o chamavam, ainda representou o Brasil na
ventania das Olimpíadas de Seul 88´.
Foi 9 vezes Campeão Brasileiro na Finn e responsável pela boa fase
que a classe atravessa no Brasil.
Sua raça foi patente quando conquistou uma regata no Campeonato
Mundial realizado no Rio de Janeiro, após recuperar-se de grave
acidente no joelho.
Foi ainda campeão nas classes Soling e Star e exímio velejador na
Classe Oceano.
Tive o prazer de velejar com ele no mesmo barco, em algumas etapas
do Match-Race Brasil sob o comando de Alan Adler.
Guga sempre esteve atento ao desenvolvimento da Vela Nacional. Sua
crítica, por vezes confusa, sempre teve a preocupação de garantir o
legado de nossos princípios para as gerações futuras.
Neste sentido, Guga dedicou prioritariamente seus últimos anos em
formar um grande sucessor na família Zarif, através do revelado
jovem talento Jorginho Zarif.
Sua pregação quase profética, sempre citava o "foi um prazer fazer
parte desta geração...".
Hoje afirmo categoricamente. Prazer foi meu, foi nosso, de fazer
parte da sua geração!
Que os bons ventos continuem a soprar para você e que seu legado
seja inspiração para as próximas gerações. Até breve campeão!!!”
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