ILHA
SAILING Ocean School - HISTÓRIAS DO MAR
Primeiro
Veleiro
3 de setembro
de 2000, dia marcante em minha vida, faziam 3 dias que estava com muita
dor de garganta e tosse por causa de um frio e chuva fina que já
durava uma semana neste que foi um inverno muito rigoroso em Ilhabela,
faziam 8 anos que papai e mamãe não sabiam o que era frio
no inverno.
Já estava
impaciente de não poder sair e para chatear fui no médico
ontem e disse para ficar em casa para curar a da garganta.
E neste domingo
chuvoso quando acordei, papai me pegou no colo e prometeu que iria finalmente
fazer o meu primeiro veleiro, meus olhinhos brilharam, dei um sorriso e
fui até o pequeno "jardim de inverno", atrás do nosso quarto,
para pegar o "tabuleiro do Barna" que estava na chuva com vinagre para
tirar o cheiro de peixe.
Escolhendo o Casco
Pois é,
papai queria dar um optimist para eu velejar no seco e poder brincar de
"cabaninha", mas era muito grande e desajeitado para brincar dentro de
casa, então o tio Leo, marinheiro amigo de papai deu a idéia
de passar no novo Píer dos Pescadores, construido pelo Yacht Clube
de Ilhabela no Saco da Capela e falar com com o pescador chamado Barna,
para usar um tabuleiro de plástico reforçado que é
usado para colocar gelo e conservar o camarão que vinha em grande
quantidade, pois era época da Festa do Camarão em Ilhabela.
Tio Barna,
pescador e comerciante de pescados, tem uma banca peixe no píer,
me conheceu e papai falou da idéia, ele riu, porque era comum entre
os filhos de pescadores, usar o tabuleiro como barquinho para remar na
beira da praia.
O tabuleiro
aguenta 40 quilos quase afundando, assim fala o marinheiro Marlon do veleiro
Argos de Ubatuba, que quando criança deitava em cima e ia remando
no Saco da Ribeira.
Estaleiro e Veleria
Com aquela
chuva fina e fria de domingo, eu e papai secamos o tabuleiro na sala, ele
começou a levantar os paiós das camas do quarto para pegar
o saco de ferragens da época que fazia manutenção
nos Bruma 19'. Eu fiquei maravilhado com a quantidade de peçinhas
e sacos de plástico que eram virados no chão, que catava
tudo e perguntava para que servia. Dali saíram moitões, mordedores,
garlindéu e olhais para manobrar as velas.
Depois
ele tirou as caixas de ferramentas, morsa e mini bancada Black Decker debaixo
dos paiós do sofá da sala, colocou de lado o colchonete e
usou o sofá como marcenaria de nosso mini estaleiro.
Mamãe
arranjou um pano branco para fazer a capa de retranca e um tecido de nylon
azul claro para fazer a vela, só precisava de cabo de reforço
para costurar em volta da vela, fazer os olhais dos punhos de tope, amura,
escota e que também poderia servir de escotas, adriças, cabos
de amarração e fundeio.
Este cabo foi
gentilmente cedido pela tia Beti, esposa do seu Garcez que aluga nossa
casa para papai.
Mamãe
também arranjou um cabo de vassoura de alumínio como mastro
e um pedaço de bambu como retranca.
Só
com estaleiro e veleria poderíamos construir o veleirinho.
Mãos à Obra
O tabulerio
foi colocado em cima da madeira do sofá da sala, mini bancada do
lado, furadeira do outro, muitos parafusos de inox, ferragens de veleiro,
pó de serragem e plástico, regados a chá com bolachas
que a mamãe preparava além do charope para tosse como sobremesa
de 4 em 4 horas.
No início
fiquei muito animado com todo o movimento de furar, serrar, cortar as madeira
de reforço do mastro.
No meio da
empreitada, estava meio incrédulo do que ia sair e o que salvava
o meu interesse foi ficar cantando junto com um CD de musicas infantis,
dentro do veleiro em cima do sofá. Ali eu deitava, pulava, balançava
de um lado para outro como se estivesse no mar, até o reforço
do mastro ficar pronto e eu colocar o mastro vermelho no lugar.
Aí fiquei
animado, queria subir no mastro, mas estava com medo de cair.
Quando ficou
pronta a retranca com os moitões, estava entiusiasmado e ajudei
papai a fazer os furos para colocar o traveller na popa.
Brincando brincando,
papai levou 8 horas para fazer o veleiro e mamãe uma 3 horas para
a vela.
Navegando
Veleiro
pronto mas sem a vela, pois mamãe estava costurando.
Mas precisávamos
dar uma voltinha para saber se tudo estava em ordem até a veleria
Mamãe Sails entregar a vela.
Eu e
papai limpamos o fundo do veleiro (tiramos as cracas. Sabe como é
veleiro novo, sem pintura de fundo e muito tempo parado pega craca) e colocamos
no "mar" da rede de atravessava o quarto casal de um lado a outro.
No balanço
da rede de um lado para o outro com se estivesse no mar calmo e para frente
e trás como se estivesse no mar agitado, fizemos nosso teste de
estabilidade.
Estabilidade
é quando o mastro fica de pé, porque estou sentado
no meio do veleiro e falta de estabilidade é quando o mastro fica
deitado, porque estou sentado só de um lado do veleiro e quando
a rede balança vai inclinando até ficar na horizontal.
Vela
pronta e... agora sim, parece um veleiro de verdade.
Como
veleja firme e estável com a vela nova, nem inclina mais.
Coloquei
meus convidados "papai, mamãe e pequeno ursos" velejando comigo.
Dá até para assitir o vídeo do "Pequeno Urso" na televisão
do quarto confortávelmente e tomar suco de uva balaçando
ao sabor das ondas do "mar" (rede) e sentir o ventinho na vela.
Por Oliver Melsohn Guy Barboza com uma pequena ajuda dos pais.