ILHA SAILING Ocean School - HISTÓRIAS DO MAR
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Trem Desgovernado

Celso, Euzi e o filho Danilo  Cruz depois de 54 horas de experiências  entre cursos Básico, Intermediário, uma campanha de regatas durante o ano de 2001 onde se sagraram vice-campeões paulistas na Classe RGS categoria "B" e várias velejadas em seu veleiro ANCORAGE  resolveram fazer uma aula de Traslado numa viagem Ilhabela para Santos em um dia nublado, porém quente
12.01.2002 - 09:00 horas - Depois de fazer o plano de
navegação e tomar o café da manhã, a família Cruz pôs o pé na estrada (a mão na escota, a hélice na água etc..), com vento de 4 nós, que aumentou no terminal da Petrobrás e foi enfraquecendo na Ilha do Toque Toque até chegarmos nas Ilhas.


           15:00 horas -  Dá para ver na foto o paraíso que são as Ilhas para quem chega por água, que
estava super transparente.
   Jogamos ferro e Euzi preparou com incrível rapidez, uma bela macarronada ao sugo, enquanto o
pessoal dava uns mergulhos naquela bela baía, que fica de frente para a estrada Rio Santos. A
temperatura da água estava amena e boa para dar uma nadada depois de 4 horas de motorada.


    16:00 horas -  Saímos das Ilhas em direção Santos  deixando para trás o paraíso e passamos por
boreste da Ilha do Montão do Trigo em direção a Ilha da Moela.
   Já nesta pernada, tivemos o vento aparecendo pelo través, prometendo ventos sueste a sul  de 8 nós, que foi gradativamente aumentando para 12 nós quando estávamos pelo través do Costão das
Tartarugas  e já no Guarujá.
     Devido ao aumento do vento, o mar também cresceu e dos 50 centímetros que tínhamos na saída
das Ilhas chegamos com 2,5 metros de onda pelo través e alheta, principalmente quando passamos
por dentro do canal entre a Ilha da Moela e o continente.
   "Mal de la Mer"
     Daniel pegou no leme no início revezando com Euzi e Celso quando no meio do caminho Euzi
começou a sentir o "mal do mar" (enjôo)  por causa das ondas de través aumentando e o veleiro balançando de um lado para outro.
     Depois de ter passado mal  comeu uma banana e depois de meia hora, ela já começava a se
sentir melhor, conseguindo fazer toda a viagem mais alegre.
    Quanto a Daniel e Celso agüentaram bem, até pouco antes da Moela, quando passaram o
leme por problemas de fadiga, principalmente nos braços, devido 05:30 horas de movimentos de compensação do balanço em mar pesado e dores na perna direita por estarem muito tempo de pé na roda do leme.
     A impressão que se tinha com o som do motor oscilando em altos e baixos, embalado pela
velocidade das velas e cada vez mais chegando a garganta da Ilha da Moela, era de estar a bordo de um trem desgovernado, em alta velocidade, cambaleando de um lado para o outro e fazendo o motor fazendo: "...dumdumdum.....dumdumdum.....dumdumdum.....dumdumdum....dumdumdum.....dumdumdum....".
   Impressionante para quem não está acostumado.
   Pouco antes da Ponta Grossa, ouvimos um rangido no leme que não existia antes, Celso entrou pela
cama de popa para examinar os cabos dos comandos da roda de leme e constatou que tudo estava
em ordem, concluímos que poderia ser uma bucha de leme com problemas.
    23:00 horas - Chegamos as  com maré muito baixa e precisamos prestar muita atenção para não
encalhar num dos braços do canal de Santos que dá no Supmar, marina onde o veleiro vai fazer a sua
revisão anual.
   Para Celso é interessante o local, pois mora em Santos.
   O mais incrível, é que quando pegamos seu carro para sair da marina, começou uma chuva que só foi parar 2 dias depois.
   Parabéns aos marinheiros que passaram por muitos testes de mar pesado, indispensáveis para tirar
a insegurança da navegação nestas circunstâncias, agora é só treinar, pois Santos é mar para fazer
marinheiros de verdade.
   Também está de parabéns em particular a Euzi, que é muito hábil nos quitutes de bordo e na rápida administração do enjôo, afinal de contas, ela já descobriu pelo menos uma forma de se safar.