ILHA SAILING Ocean School - HISTÓRIAS DO MAR
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BATGIRL.

      Um amigo tinha emprestado um veleiro de 22´ em Santos para passarmos o dia, porém houveram alguns contratempos  até chegarmos lá. Quando saímos o tempo estava bom, o dia gostoso e a noite prometia uma boa velejada. E assim fomos à Ilha da Moela para darmos uma volta.

       Fora da baía e já na Moela, o visual do pôr de sol até a última nesguinha de luz foi emocionante. Era junho de 88, nesta época o clima está mais frio, as roupas para velejar são gostosas e não temos muita transpiração. Uma das razões de se velejar neste inverno ameno da costa do Brasil. Não é a toa que os brasileiros são respeitados em competições lá fora, pois velejam o ano todo,  ganhando mais experiência que os europeus e americanos com um inverno rigoroso.
       Veio a noite, ventinho de leste, 6 nós (10 km/hora), vagas da Moela até a Ponta Grossa com 2 metros e bem longas, quando a onda levantava a popa do barco ainda dávamos uma surfadinha, todo o velame em cima, nós dois sentadinhos fora do cockpit encostados no guarda mancebo, bem juntinhos e enamorados naquela noite de lua crescente.
       Viramos a Ponta Grossa e o mar já ficou mais liso, a esta altura tocava a música do "Andréas Volenvaider" chamada "White Winds", tocando aquele trecho em que parece chuva na água. Por coincidência, a lua estava entre a lateral e a popa da embarcação, imaginem a paisagem... o reflexo rastreando a água crespa, dava impressão com a música, que estava chovendo purpurina cintilante no mar... nirvana total !
        Tínhamos amarrado nos cabos de aço laterais que seguram o mastro, pedaços de fita cassete a 2 metros do convés, para ver a direção do vento (birutinhas). Como elas estão sempre se movimentando, falei para o Winston: "...que gracinha, olha só os passarinhos que estão velejando junto com a gente, estão tentando pegar as fitinhas, mas estão tão desajeitados !... parecem até que estão de bêbados ?..." . Winston se deteve a olhar, tentar entender e somente argumentou: "...é" e mudou de assunto.
         Levamos mais umas 2 horas até chegarmos na marina e os passarinhos nos acompanharam pelo menos uma hora e meia com verdadeiros razantes, ora nas birutinhas ora na bandeira do Brasil na popa.
         Na estrada de volta a São Paulo, conversávamos da noite inesquecível e apaixonaste, quando perguntei sobre os passarinhos: "... o que poderiam ser ? Andorinhas do mar ?...", ao que o Winston me respondeu muito naturalmente e sorrindo: ''...não meu amor ... MORCEGOS! ". Me senti uma verdadeira "Batgirl".

Rosana Melsohn Guy