HISTÓRIAS DO MAR
   
   

FURACÃO ANDREWS E BOMBAS


   O trajeto do furacão Irma, marcando o início da temporada dos furacões no Caribe, lembra as emoções que passei durante o furacão Andrews em 1992.
 
   Vi de perto um excelente, organizada e coordenada evacuação de Miami, que por ser uma cidade ao nível do mar, quando em uma tragédia destas, as ruas ficam alagadas e fios de luz arrebentados, saindo faíscas e no contato com a água, podem causar severos danos a população e a evacuação da cidade é a melhor solução.
 
    Em passagem por Miami, onde auxiliei um cliente na compra de veleiro, vivi intensamente a experiência e alem de acontecimentos como:
 
- de 15 em15 minutos, 3 dias antes, apareciam chamadas de jornalistas na televisão, interrompendo a programação, avisando a ocorrência e dando informações para evacuação da cidade com roteiros seguros e dizendo para quem estivesse em hotéis, se dirigissem a recepção, para receberem orientações de como proceder a evacuação.
 
- olhando para o mar, o céu estava cinza claro aparentemente estava tudo normal.
 
- indo para as grandes avenidas e depois estradas, viamos muitas pessoas fixando tábuas e ou compensados na janelas e portas.
 
- muitas filas, que mais pareciam procissões de veículos nas estradas e lanchas, veleiros subindo a costa da Florida, deixando Miami e indo para o norte pelo mar.
 
- nosso destino era Orlando, no meio da Florida e chegando no final de tarde, a recomendação era procurar aeroporto que tinham verdadeiras mesas inclinadas com quadrados em acrílico com a foto de todos os hotéis e uma tecla de linha direta em cada foto, onde o cliente podia ligar por telefone e marcar reservas.
 
   Quando chegamos tinham duas moças falando espanhol tentando fechar vagas e um casal de equatorianos com 4 malas, sendo duas grandes.
 
   O que deu para notar é  que as moças,  faziam sempre 2 ou 3 ligações a mais do que o casal, que gentilmente cediam depois de fazerem uma tentativa  por vez, o fone para elas tentarem.
 
   Quando entramos na rodinha, fazíamos  uma ligação e dávamos a próxima ao casal e em um inesperado momento, eles perguntaram, se queríamos  dividir um quarto com duas suites divididas por um porta para duas famílias e concordamos.
 
    Como o quarto era no 2.o andar e não tinha elevador, precisamos ajuda-los a carregar a pesadíssimas malas até o apartamento.
 
    Ao levantar a mala senti que tinha algo estranho com as malas e perguntei se eram barras de ouro e explicaram que tinham bombas na mala e por isto eram muito pesadas.
 
    BOOOOMBAS!?!? Pensei comigo.
    Só faltava esta para completar o quadro negro tragicômico.
    Passamos o dia viajando para Orlando em um caminho desconhecido e tumultuado de carros e ansiedades, na insegurança de saber onde iríamos finalmente descansar, para passar pela experiência de ter um casal subversivo e aparentemente simpáticos, que carregavam pesadas bombas nas malas e falavam com a maior naturalidade.
 
    E ainda por cima nos disseram que depois da janta, teriam uma surpresa para nós.

    Minha vontade era de sair voando porta a fora, mas para onde, naquela hora da noite e o cansaço me obrigou a acalmar.
 
    Dito e feito.
    Depois da janta, abriram uma das malas e tiraram balões salsichas, daqueles que se faz decoração de  cachorrinho, gato, flor e etc... E que no equador chamam de “bombas“.
 
    Haviam participado de uma Convenção  de Bombas em Miami e como comercializam o produto, compraram muitas.
 
    E só nos convidaram a dividir o apartamento, porque dividimos honestamente a vez das ligações.
 
    Penso que educação e solidariedade é uma linguagem universal, que nos ajuda nas horas mais difíceis e agradeço a meus pais as boas oportunidades que me aparecem.