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Regata
Alcatrazes por Boreste

Ilha de Alcatrazes
Rota Ilha Sailing
Tivemos
uma tripulação experiente em percursos de mar aberto e regatas,
são eles:
Edith:
proa
Ivan: proa, timão
Helmut:proa
e timão
Michel:
proa e navegação
Konstantino: timão, proa e navegação
Eduardo: proa.
Parabéns a todos que suportaram bem estas 19 horas de condições
de mar e temperatura agressivas, além de se descobrirem resistentes,
a esta que foi, uma das mais duras regatas de todas edições
realizadas até hoje.


Tirinhos
de Canhão
96
veleiros, 18 na Classe RGS onde estávamos correndo. A largada
para a Ilha de Alcatrazes, foi uma incrível confusão.
Imaginem que deram 3 tiros de largada para classes: IMS/ORC, RGS/MULTICASCO
e BICO DE PROA.
Porém os da primeira classe, pararam na linha de largada por falta
de vento e os outros 2 pelotões, iam se encaixando nesta primeira,
como peças de um grande quebra cabeça aquático.
Acabou juntando os 96 veleiros, entre a bóia no Píer da Vila
e o navio da marinha muito alto, parado do lado direito da linha, onde
entrava o vento na flotilha.
Se a largada
fosse para a Whitebread, com seus W60 e mastros de 23 metros, não
teriam problemas em passar pelo navio, inclusive não levariam uma
salva de disparos de canhão na orelha.
Foi hilariante!!!
Ficamos
na linha tentando evitar de tocar no navio, que provocava uma corrente
e nos trazia de volta para seu costado, ninguém queria saber de
fazer manobras, pois as mãos estavam ocupadas, tapando os ouvidos.
Quando demos por conta, a flotilha tinha aberto meia hora na frente, quando
conseguimos finalmente desgrudar de nosso altivo anfitrião.
Tomara que da próxima vez coloquem o navio como bóia e não comissão, inclusive com o canhão apontando para cima.
Pensando bem, particularmente
acho que o marinheiro que estava no canhão, ficou com pena do pessoal
que era arrastado para o navio e resolveu mandar um ventinho, com
o deslocamento de ar do tiro de pólvora sêca nas velas do
pessoal, assim poderíamos nos afastar mais rápido.
Só que esqueceram de mandar
um tapa orelhas, igual ao que o marinheiro do canhão tinha.
Tragicômico!!!
Não podemos deixar de dizer que, foi com muita honra que nos sentimos
brasileiros, por estarmos com a nossa Marinha Nacional, representada
pela Fragata União e seus disparos de canhão, para dar a
largada da Regata e um brilho muito especial ao evento classificando como
tão tradicional, quanto aqueles que são realizados na Inglaterra.
Boas Vindas à nossa Marinha de Brasileira.
Vento
Forte na Balsa
Na
altura da balsa do Canal de São Sebastião, começou
um vento de 20 nós de sudoeste, fazendo os veleiros com balão,
terem que abaixar rápido, devido a mudança.
Da Laje dos Moleques até a Ponta da Sela tivemos calmaria e vento
rondando para nororeste que aos poucos foi aumentado e quando já
estávamos fora do canal, entrou um noroeste de 28 nós e vagas
de 2,5 metros.
Era como surfar nas corcovas de um camelo, sem balão fazíamos
de 7 a 8 nós na surfada.
Depois do vento que durou aproximadamente 40 minutos, começou a
rondar de sudoeste para noroeste fracos, começando a aumentar para
9 a 10 nós perto de Alcatrazes.
Contornamos a Ilha e voltamos com noroeste, aumentando para 12 a 13 nós
e o mar um tapete.
Helmut se descobriu um bom timoneiro nesta volta.
A temperatura estava por volta de 9 a 10 graus, porém a impressão
térmica devido a humidade alta, dava impressão de 2 graus.
Quando
retornamos na Ponta da Sela, tivemos uma grande calmaria até a Laje
dos Moleques, resolvi tirar um cochilo pois não agüentava mais
e já eram 06:30 horas.
Acordei com o veleiro deslizando rapidamente pela água tranquila
do canal, era a frente fria que após muitos ensaios durante a regata,
finalmente entrava.
O vento estava de 30 rajadas de 40 nós.
O céu começava a ficar cinza chumbo acima de nossas cabeças,
com o desenho de garras, devido a violenta movimentação das
nuvens.
O veleiro em popa rasa e asa de pombo, começava a pendular com abre
e fecha da genoa, devido as rondadas de vento forte e mar encarneirado.
Do nosso lado o veleiro Anny Way de Holie e Crespo, pendulava bastante,
mas se mantinha no rumo.
Começamos a fazer a curva na altura da balsa, para alinhar no Píer
da Vila e o inevitável jibe na mestra, tinha que ser feito.
Esperamos o vento diminuir as rajadas, enquanto nos aproximávamos
dos baixios da Ilha na altura do Pereque e pouco depois da balsa tínhamos
que mudar logo a vela de lado, senão encalharíamos.
Konstantino começou a puxar a escota, para trazer a retranca no
meio. Avisei o pessoal para se segurar, o veleiro iria atravessar
e "ploc", a retranca já estava do outro lado, os 2 moitões
pendurados na ponta da retranca, com o Konstantino segurando a ponta da
escota, agora livre do carrinho do traveller, pois havia rebentado e torcido
a base do moitão.
Não houve atravessada, mas em compensação, a retranca
acertou o brandal de tope lateral em ângulo acentuado, fazendo o
mastro girar 20 graus na base em cima da cabine.
Se fosse um mastro passante para dentro da cabine, poderia quebrar o mastro.
Todos a bordo do lado de fora do veleiro assistiram ao espetáculo
e tremeram de frio. Acredito que baixou a temperatura com a entrada deste
vento gelado que nos pegou, estávamos com 60 nós na rajada,
tal a violência do estrago.
A
embarcação Phetixe, um veleiro Rocket 30 de última
geração, bateu com sua quilha na Laje dos Moleques ainda
no início da regata, desistiu e estava voltando rebocado por outro
veleiro, para o seu porto de origem em Ubatuba no Saco da Ribeira, com
a finalidade de avaliar estragos.
Fazia um pouco de água através dos parafusos da quilha e
quando estavam pelo través da Ilha do Tamanduá, 10 milhas
antes de seu porto, naufragou, dando tempo apenas de passar os tripulantes
para a outra embarcação de apoio. Sorte que tinha seguro.
Devido
a grandiosidade do evento, tivemos alguns problemas de informação,
quanto a divisão de Categorias na Classe "C" da RGS de última
hora, causando para nós e mais 5 veleiros, 42% da flotilha
de 12 veleiros da categoria "C", o descarte na pontuação
geral do Campeonato.
Porém levantamos os tempos dos veleiros, para ter uma idéia
de nossa classificação no geral conforme quadro abaixo:
|
Alcatrazes
|
|||||||
|
REAL
|
CORRIG
|
||||||
|
COL.
|
veleiro
|
tmfaa
|
classe
|
HH
|
MM
|
SS
|
SEGUNDOS
|
|
1
|
ASBAR
|
0,8595
|
C
|
15
|
17
|
7
|
47295,70
|
|
2
|
MAGIC II
|
0,9916
|
A
|
14
|
24
|
24
|
51428,34
|
|
3
|
NOVO MUNDO
|
0,8443
|
C
|
18
|
1
|
10
|
54769,74
|
|
4
|
ALBATROZ
|
0,9146
|
B
|
17
|
17
|
8
|
56913,72
|
|
5
|
ILHA
SAILING
|
0,8543
|
C
|
18
|
57
|
25
|
58301,70
|
|
6
|
MERCENÁRIO
|
0,9273
|
B
|
17
|
36
|
57
|
58806,58
|
|
7
|
BOTO 1
|
0,8415
|
C
|
18
|
85
|
15
|
58833,47
|
|
8
|
FORÇA 13
|
0,9756
|
A
|
16
|
55
|
5
|
59418,91
|
|
9
|
BRISA
|
0,9355
|
C
|
17
|
58
|
0
|
60508,14
|
|
10
|
RAJADA II
|
0,9713
|
A
|
17
|
21
|
44
|
60710,13
|
|
11
|
XAXINHA
|
0,9845
|
A
|
17
|
13
|
18
|
61037,03
|
|
12
|
CHARLIE BRAVO
|
1,0262
|
A
|
17
|
2
|
16
|
62943,00
|
|
|
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